Domingo, 17 de Dezembro de 2006

Ele chefiava uma causa perdida e não temia os raios de Deus

       Filomena  à mercê transida; a boca dela a contorcer-se no meio das traves que sobem para o tecto .

  «com que então a trair-me, era isso?»  Atirou um pontapé no móvel  «Sabes o que é trair um homem?»

Saiu em grandes passadas; não tardou a voltar, com um balde de agua e uma escova. Mas deparou com Mena levantada e em roupão e ai foi o fim, abriu-se todo num murro

  «Nua, sua puta»

Despiu-a aos repelões, atras do roupão arrancou as mantas, lençóis, tudo para longe, tudo para o corredor. Depois fixou a porta, olhos fechados, a dominar-se «a trair-me... sua puta...» sussurrava chorando em seco.

  Mena de pé, envolvida nos braços. Não era frio que sentia, era a nudez. Da porta do quarto via-se como se ela fosse um espectáculo de miséria.

  «A trair-me, sei lá a quanto tempo... nem até onde...»

«Cala-te..! É melhor não falares. Calada porra!»

   Mas Mena não tentava sequer falar, não podia, estava seca e esvaziada por dentro. Virou-se para a janela nua atras da vidraça, e ele como quem lhe cuspisse na cara, lançou-se a Mena e afocinhou-a junto ao balde

   «Esfrega-me esse chão, já!»

Cai uma lagrima...há aqui uma espera. Ele e Ela recortados em silencio, nem um gesto, nem sequer um respirar. Depois um estrondo, a casa a estremecer, mais uma lagrima; Sossego agora outra vez.

Uma luz muito exacta de sol de inverno, a única manhã de sol daquele maldito inverno desgraçado,

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PensarCusta às 15:40
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