Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

As palavras derretem-se na agua

Que não, que no dia seguinte não vinha, que era desta que voltava a casa e ao menos uns dias me libertava da tua ausência,  amanhã não,  amanhã volto para casa, esta um  mês de novembro como há vinte anos não chovia e logo agora é que eu me tinha de lembrar, era pouco mais ao menos isto, as vezes em Lisboa não chove mais do que cinco minutos, mas mesmo muito, e tanto que dá paragem do eléctrico. É impossível chover mais do que isso nos vinte minutos que me separam da tua casa, e é assim que me lembro disto, assim e nas noites em que não durmo, e quando a cidade inteira lá em baixo não me responde, como tu que não me respondes, como nunca ninguém me conseguiu responder. Como hoje.

Não, não era isso... não percebeste, pois não?!? É demasiada a distancia que nos separa do passado, do que terei dito do que terei ou não sido, demasiada a distancia que me separa de casa e é natural que não acredites em nada disto porque sabes tão bem quanto eu que a minha aldeia era demasiada pequena para suportar tudo isto, tu não tens a culpa, sorry so sorry, tão pequena que não sei  mesmo se existe ou se as ultimas velhas se enterraram num derradeiro festim de velas e das contas de um terço que se reza entre os dedos,. Que mesquinho que eu me tornei! Oh, perdoa-me tudo isto...

Estranho estas paredes, o silêncio que me percorre nas escadas que subo até ao terceiro andar, e depois Lisboa, afinal a minha casa, a cidade inteira lá em baixo, volto passados que são... (quanto tempo se passou?), não no dia seguinte, não sem que antes me tenha lembrado de tudo isto que não te conto (como?), sem que tenha deixado de perceber o passar dos tempos, não existe segredo, não existe nada, que merda.

Vinte anos deste mês de novembro, como há quanto tempo não chove, a cidade como ressuscita debaixo de mim. Eu com ela, não havia ninguém, ninguém a quem escrever. Ninguém que me explicasse porque é que as pessoas morrem e porquê o silêncio em que se erguem os meus fantasmas, ninguém a quem dizer a minha culpa, admito, perdi, venceste. Não tive culpa

 

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PensarCusta às 20:10
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