Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Olha aqui sem virgulas

 

Sentada recostada numa confortável cadeira e as mãos as mãos enrugadas engelhadas maltratadas pelo tempo pelos anos pelos anos muitos anos clusters de anos que se amontoaram em cima das mãos um sinal dois sinais enxames de sinais marcas da memória do tempo dos anos muitos anos trémulas tremiam segurando a linha doze que é mais fina porque a linha seis a agulha tem de ser outra e as mãos as mãos trémulas tremem e não se ajeitam e os olhos os olhos observam e absorvem o mundo através do vidro baço das lentes olhos através do vidro vidrados na linha doze e nas mãos trémulas que seguram a agulha e um dois três quatro passa a linha um dois três quatro cinco enganei-me e desfaz um ponto e surge um paninho rendado atrás de outro paninho rendilhado muitos paninhos de renda que se amontoam na arca com o passar dos dias dos dias dos meses dos anos dos anos muitos anos clusters de anos que se amontoaram enquanto estavas sobriamente sentada à varanda a velar a paisagem que já foi de campos e tudo eram campos e tu ainda te lembras de como tudo eram campos campestres e verdes sem horizonte onde apenas se via o sol e as sombras a dar numas casas lá ao fundo lá ao fundo e uns homens há uns anos apareceram material compraram terrenos uma grande urbanização projectos e tu viste tudo isso enquanto as mãos as mãos na altura sem milhares de sinais faziam os mesmos paninhos de renda na tarde soalheira e as casas de repente já não estão lá ao fundo já estão mais perto e o sol já se põe por detrás delas e os grilos já não se ouvem e já não são campos não são agora são casas caiadas que surgem cada vez mais perto mais perto aproximam-se vozes velozes de homens com mais material e projectos e sonhos e isto vai ficar bonito um condomínio umas vivendas um court de ténis e agora vês a varanda sem vistas tens uma praça diante de ti e o sol o soalheiro já mal se vê só quando está alto bem alto a pique porque depois fica atrás das casas das casas mesmo aqui ao pé e os campos os campos desapareceram e as mãos tremem gelatina gelada e o paninho já não sai perfeito mas não faz mal afinal é só para passar o tempo que se vai escoando dia a dia a dia a dia a semana a mês a anos muitos anos clusters de anos que se amontoaram nesta varanda onde através do vidro vidras os olhos na avenida e nos carros que passam poucos carros primeiro agora muitos carros maiores melhores barulhentos fumo confusão e lembras-te de quando tudo eram campos campestres e vias o sol ao longe a pôr-se no horizonte atrás de umas casas longínquas e agora tudo está aqui aqui aqui as casas os carros e as mãos que tremem tremores olhos vidrados através do vidro e o coração que parece que bate descompassado e os paninhos que se amontoam panos muitos panos de renda rendinhas rendilhados tal como os anos muitos anos que se amontoaram e ameaçadores ameaçam e tremes e as mãos tremem e está tudo aqui já não se vê o sol atrás das casas onde foi o sol está tudo aqui e as mãos e os panos e os carros e os panos e o pânico pânico e o preto
tags:
PensarCusta às 01:15
Link | sobre isto tenho a dizer que

©

-

-

Apresentação

Explico-me

manifesto

pesquisar custa

 

Pensar Passado

How i feel:

Friendster




Site Meter
Add to Google