Domingo, 17 de Dezembro de 2006

A tua coxa interna

 

Passam autocarros comboios pessoas. Barulham. Marulham se houvesse mar. Há rio lá longe onde não o vejo, na distância. Se tudo ficar silencioso, até as teclas do computador em que carrego consigo ouvir a respiração dela. Abeiro-me da cama, debruço-me sobre esse corpo. Não se mexe e não esta morto. Dorme só. Um sono cansado, uma noite insana, doida.
 O quarto cheira a sono. Deve entrar vento e o frio da rua, mas o vento e a rua estão parados, já não ouço carros autocarros comboios pessoas. Cheira a sono e aos lençóis que há inúmeras noites usamos e dormimos e suamos. Deixo-os estar. Cheiram a sono.
 Não sei porque falo para ti se sei que dormes. Porque já me abeirei de ti e vi-te de olhos fechados e quase imóvel. Porque o teu peito subia e descia com a respiração. Não chorei. Porque faria eu isso se não tenho vontade de chorar?
 Estou sentado através das minhas fisgas da janela e vejo a luz e o vento e tudo o que há na rua que não pode ser escrito. Imagino que podias estar a acordar e dirigis-te para mim com as palavras nos teus braços que me apertariam pela cintura e não mais me largariam enquanto eu não me deitasse na cama contigo. Mas não acordaste em silêncio, o teu corpo continua a ser sacudido pela respiração calma e eu estou sentado á espera que os teus braços se decidem a abarcar-me.
 
Um dia de domingo de silêncio. Dobram os sinos da igreja de madre de Jesus e gritam o fim da Quaresma como se gritassem o fim da peste ou da guerra.
 
Começo a baixar os estores e começas a levantar ás palparas. E não me dizes nada nem os teus braços se esticam até mim. Voltei para perto da cama mas sentei-me no chão. Enrolava nas mãos uma bola de cotão. Deito a bola de cotão para o lixo, vou para a cozinha fazer café. Acendo um cigarro. Quando vou a meio chegas só de roupão. Fazes que eu veja a tua perna, a tua coxa interna. Roubas-me o cigarro e vais-te embora para o quarto. Vou atrás de ti e fornicamos. ( o café ficou queimado).
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PensarCusta às 15:35
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