Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

É dela que tenho medo

Sempre que penso nisso tenho medo. Sempre que regresso ás reflexões no autocarro, no caminho para casa. Podia ser na cozinha ao som do frigorífico, mas é no autocarro que penso, naquele tempo que julgamos perdido, eu aproveito, e mal. Lembrei-me do frigorífico porque há uma crónica do António lobo Antunes que começava com ele a escrever na mesa da cozinha, com uma luz sobre a mesa. O barulho do frigorífico acrescentei eu, porque achei que dava um ar mais acolhedor ao quadro.

Com cuidado ouve-se o comboio e os meus vizinhos de cima a fornicar. Estava na varanda e recordava a minha adolescência. Talvez o estivesse a fazer porque fumava, clandestinamente um cigarro. Era clandestino das pessoas com quem partilho uma casa e de todas as outras pessoas a quem disse que desde Agosto que não fumo.

Até era clandestino da minha consciência. Apaguei-o no tanque que ficou esquecido na minha varanda.

Na noite fria, após expulsar o fumo do cigarro, continuava a ver a minha própria respiração. E umas luzes vindas de uma discoteca perto do convento do beato, pareciam discos voadores, daqueles que vimos no rádio.

 

tags:
PensarCusta às 11:16
Link | sobre isto tenho a dizer que

©

-

-

Apresentação

Explico-me

manifesto

pesquisar custa

 

Pensar Passado